Um terço dos portugueses tem seguro de saúde privado. Classe média e baixa são as principais clientes

Não são os cidadãos com mais posses que mais contratam seguros de saúde. Classes média e baixa têm 72% das apólices, mesmo com 60% isentos de taxas. Mas tempos de espera assustam.

Não são os cidadãos com mais posses que mais contratam seguros de saúde em Portugal, noticia esta quarta-feira o Jornal de Notícias. As classes média e baixa têm 72% das apólices, mesmo estando 60% isentos de taxas no Serviço Nacional de Saúde. Mas os longos tempos de espera levam as pessoas a procurar este tipo de produtos financeiros.

Segundo dados da Marktest citados pelo Jornal de Notícias, nunca houve em Portugal uma percentagem tão elevada de portugueses com seguros de saúde: cerca de 31% da população. Serão cerca de dois milhões e 758 mil pessoas que beneficiavam de apólices (em setembro).

E são as classes média, média baixa e baixa que mais contratam seguros, apesar de 60% da população estar isenta de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Faro, Setúbal e Lisboa e Vale do Tejo são as zonas com mais população coberta por seguros e com menor cobertura por médicos de família e tempos de espera mais elevados para consultas de especialidade e cirurgias no SNS.

Miguel Gouveia, economista e investigador da economia da saúde, diz ao Jornal de Notícias que “quem tem mais dinheiro não tem problemas em pagar um especialista no privado”. “Os mais pobres procuram proteção para situações catastróficas, como cirurgias, que não pagariam no SNS, mas têm elevados tempos de espera”, indicou, recordando que há “estudos feitos no Reino Unido, cujo SNS é semelhante ao nosso, que indicam que o setor privado e os seguros crescem onde há desinvestimento no SNS”.

Seguradoras querem casos de acidentes de trabalho fora dos tribunais

Para “descongestionar” os tribunais do trabalho, a associação do setor propõe a possibilidade de resolução extrajudicial, por livre acordo entre as partes, dos sinistros com incapacidades permanentes. Especialista aplaude a iniciativa.


© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Dos mais de 28 mil processos que estavam pendentes em tribunal no final de 2017, quase 22 mil eram referentes a acidentes de trabalho ea doenças profissionais. Aliás, 74% dos processos entrados nos tribunais do trabalho tinham que ver, precisamente, com acidentes de trabalho ou doenças profissionais, e o tempo médio de duração ronda os nove meses. Para contrariar o congestionamento dos tribunais, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) quer que os sinistros que gerem incapacidades parciais permanentes até aos 30% possam ser resolvidos por livre acordo entre as partes, como acontece, aliás, nos acidentes de viação. Teresa Magalhães, especialista na matéria, aplaude a proposta e fala do “calvário” dos trabalhadores que andam “anos e anos” a correr para o tribunal para resolver o litígio.

Em causa está o tratamento diferenciado aos sinistrados em sede de Código do Processo Civil e de Código do Processo de Trabalho. É que, no primeiro, mesmo em caso de morte, é possível resolver a questão por acordo extrajudicial, entre as seguradoras e os sinistrados ou os seus familiares, enquanto nos acidentes de trabalho toda e qualquer sequela geradora de incapacidade tem de seguir para os tribunais, por mais pequena que seja.

Um processo que Teresa Magalhães, médica especialista em medicina legal e com 30 anos de experiência na avaliação do dano corporal, garante ser “emocional e psicologicamente muito penoso”, porque obriga a vítima a “reviver, vezes sem conta, como se desenrolou um evento que, já por si, foi traumático” e a andar “qual bola de pingue-pongue” de um lado para o outro a “responder sempre às mesmas perguntas e a repetir os mesmos exames, com profissionais diferentes em locais distintos”. Já para não falar do tempo que os processos levam nos tribunais e dos custos que isso acarreta. A especialista dá o exemplo de um sinistrado cujo caso se “arrasta há dez anos”, e sem fim à vista. Enquanto outros, de acidentes de viação, são encerrados “pouco depois da minha avaliação, porque os doentes chegaram a acordo com as seguradoras”.

Há décadas que Teresa Magalhães vem defendendo a simplificação destes casos. “Algumas pessoas até ficam assustadas quando lhes dizemos que têm de ir a tribunal porque ficaram com uma cicatriz. Os tribunais foram feitos para tratar de questões mais urgentes, tem de haver vias mais céleres e mais adequadas para resolver estas situações. E, sobretudo, de forma menos desgastante para as vítimas”, argumenta.

A proposta da APS, enviada à comissão de Trabalho e Segurança Social, no âmbito da discussão parlamentar da proposta de alteração ao Código do Processo de Trabalho, propõe precisamente que o procedimento simplificado de reparação de acidente de trabalho seja possível para todos os casos em que a incapacidade parcial permanente (IPP) seja inferior a 30%, com a assinatura de um acordo extrajudicial nos 60 dias posteriores à alta clínica do sinistrado. O acordo seria “depositado no Fundo de Acidentes de Trabalho”, entidade que ficaria incumbida do “controlo de conformidade”. Nos restantes casos, com IPP superiores a 30%, em que haja algum tipo de controvérsia quanto à “caracterização do acidente como sendo de trabalho” quer “quanto à remuneração auferida pelo sinistrado à data do acidente”, ou quando estivessem em causa situações de subemprego ou em que o sinistrado fosse menor, os processos continuariam a ser apreciados nos tribunais. E o que é uma incapacidade parcial permanente inferior a 30%? “Estamos a falar de coisas como uma lesão no ligamento de um joelho, do dano a nível dos dedos da mão ou do pé, de uma dor lombar ou cervical, de zumbidos ou simplesmente de uma articulação que fica diminuída na sua mobilidade”, explica Teresa Magalhães.

As seguradoras garantem que esta alteração beneficiaria todos. “Em Espanha, as incapacidades parciais permanentes (IPP) até aos 30% já têm um regime muito simplificado, precisamente para rodear de mais cautelas aquelas situações devastadoras e que precisam de ser endereçadas com urgência. Em Portugal, os tribunais estão “afogados” em IPP de 1% e deixam ficar os processos de morte um e dois anos à espera”, lamenta fonte contactada pelo DN/Dinheiro Vivo, que lembra que, mesmo com a alteração da lei, e em caso de desacordo quanto à indemnização, o sinistrado terá sempre a possibilidade de recorrer aos tribunais.

No documento enviado à Assembleia da República, a APS destaca que esta proposta de resolução extrajudicial dos acidentes de trabalho chegou a estar prevista pelo governo de José Sócrates, lembrando que a resolução do Conselho de Ministros 172/2007 preconizava, na sua alínea m), a “dispensa da necessidade de apresentação de uma ação judicial em matéria de acidentes de trabalho quando, após a realização dos exames médicos necessários, exista acordo entre trabalhador e empregador e decisão favorável de entidade administrativa ou equivalente, assegurando-se sempre o acesso aos tribunais em caso de conflito”. Uma medida “nunca concretizada”.

Sinistros custam em média 1.434€ às seguradoras

O ano passado houve 900 mil acidentes de viação. Cada um custou, em média, 1.434 euros às seguradoras nacionais. O ramo automóvel continua a dar prejuízo. Foram 68 milhões de euros só em 2018.

car crash accident on the road

As seguradoras portuguesas gastaram 1.289 milhões de euros com os 899.109 acidentes participados, em 2018, pelos segurados do ramo automóvel, revela o mais recente relatório da Associação Portuguesa de Seguradores (APS). Houve uma redução de 4% no número de sinistros face ao ano anterior. No entanto, o seu custo médio foi 5% superior — as companhias de seguros tiveram de pagar, em média, 1.434 euros por cada participação.

No final de 2018 existiam 7.678.150 veículos segurados em Portugal, dos quais 6,35 milhões (82%) eram ligeiros, 615 mil motociclos ou ciclomotores, 145 mil eram pesados, 330 mil agrícolas e 3,2% eram outros veículos, como máquinas industriais ou reboques, segundo dados da Autoridade de Supervisão de Seguros de Fundos de Pensões (ASF).

O ano passado, por cada 100 veículos 12 tiveram um sinistro, implicando 527 mil participações ao abrigo da responsabilidade civil obrigatória — menos 10,4% que em 2017 — e 436 mil participações ao abrigo de outras coberturas como danos próprios, pessoas transportadas e mercadorias transportadas (menos 5,5% face ao ano anterior). Pode acontecer que o mesmo veículo tenha mais que uma participação por ano, mas são casos pouco frequentes, explicou ao ECO fonte do setor.

O capital seguro por todos os veículos atinge os 120 mil milhões de euros o que resulta num valor médio de 15,7 milhões de euros por veículo, o dobro do mínimo obrigatório, provando que os portugueses estão a contratar seguros automóvel para além dos valores impostos por lei.

Atualmente, e no mínimo, a apólice de um veículo automóvel tem de cobrir 6,07 milhões de euros por acidente para danos corporais e 1,22 milhões de euros por acidente para danos materiais, num valor total de 7,29 milhões euros. O seguro obrigatório assegura o pagamento das indemnizações por danos corporais e materiais causados a terceiros e às pessoas transportadas, com exceção do condutor do veículo.

Ramo automóvel deu 68 milhões de prejuízo às seguradoras

O prejuízo para as seguradoras pela exploração do ramo automóvel atingiu 68 milhões de euros em 2018. As receitas provenientes de prémios emitidos foram de 1.719 milhões de euros, um valor 6,8% superior ao ano anterior, mas só os custos com indemnizações e provisões para eventuais custos com sinistros ascenderam a 1.289 milhões, uma taxa de sinistralidade de 75%. A estes valores devem ser adicionadas as despesas diretas das seguradoras na exploração do ramo, tendo o relatório da APS concluído que o conjunto dos custos em indemnizações, provisões e despesas diretas, um indicador designado por rácio combinado, resultou em 104% das receitas. Esta diferença de quatro pontos percentuais corresponde a um prejuízo de 68 milhões para as seguradoras em 2018.

No entanto, a taxa de sinistralidade baixou em 2018 relativamente ao ano anterior de 76,3% para 75% e, já este ano, um aumento dos preços dos prémios está a elevar o rácio combinado do ramo automóvel para 101%. O prémio anual médio por veículo, em 2018, foi de 223,92 euros, mais 5% do que em 2017, o que corresponde a um valor médio mensal 18,5 euros por veículo.

Para além do ramo automóvel, também o ramo Acidentes de Trabalho é um negócio deficitário para as seguradoras, tendo, neste caso, o rácio combinado atingido 107% no ano passado. No entanto, ramos como Vida e dentro do Não Vida, os ramos de Transporte Marítimo e Aéreo, com baixa sinistralidade, mais que compensam os prejuízos de automóvel e trabalho.

O conjunto das seguradoras em Portugal registou um resultado líquido de 525 milhões de euros em 2018 e os seus capitais próprios atingiram 5,4 mil milhões de euros para ativos de 56,5 mil milhões de euros.

História dos impostos: quando começámos a pagar?

A história dos impostos é quase tão longa como a Humanidade. Dos tributos a Roma até ao IRS, há um longo caminho, nem sempre pacífico. Siga este artigo do E-Konomista para ficar a par desta história.

história dos impostos não começa, ao contrário do que pensamos, na era moderna. Há muitos séculos que imperadores, reis e proprietários de terras os cobram como forma de terem rendimento.

Costuma dizer-se, em tom de brincadeira, que há poucas coisas que não pagam imposto.

Ninguém gosta de os pagar, mas a verdade é que fazem parte do nosso sistema financeiro e até já originaram expressões célebres como o “Read my lips: no new taxes” (leiam os meus lábios, não há novos impostos) de George H. W. Bush, ou mais recentemente, e em Portugal, “taxas e taxinhas” ou “um enorme aumento de impostos”.

Existe mesmo uma pintura célebre, de Pieter Brueghel (filho), datada de 1616, cujo título é, justamente, “O cobrador de impostos”.

COMO COMEÇA A HISTÓRIA DOS IMPOSTOS?

A verdade é que até na Bíblia se falava em cobradores de impostos e, já na altura, não tinham boa reputação. Em Portugal, quando o país ainda era Lusitânia, já se pagavam impostos a Roma.

Todos nos lembramos das aulas de História e dos impostos cobrados pelos senhores feudais aos seus servos durante a Idade Média.

No Porto, por exemplo, existiam, no século XIX, edifícios destinados a cobrar impostos a quem entrava com mercadorias na cidade. Alguns ainda resistem. Os edifícios, porque os impostos mudaram de nome.

Na altura, o Real da Água era aplicado nas cidades como forma de financiar obras, a limpeza ou o fornecimento de água. Incidia sobre bens como a carne ou o vinho que eram colocados à venda.

Portanto, e como se vê, a história dos impostos é já antiga e os seus objetivos não eram muito diferentes das contribuições fiscais que temos hoje em dia.

HISTÓRIA DOS IMPOSTOS ATUAIS EM PORTUGAL

E mesmo os impostos que hoje pagamos, com maior ou menor relutância, têm uma história para contar.

Na verdade, são eles que financiam o Estado, nomeadamente áreas como a saúde, a educação ou os transportes. Ou seja, na prática, todos acabamos por beneficiar dos impostos que pagamos.

Vejamos, então, como surgiram os principais impostos aplicados em Portugal.  

IVA

O mais falado e também o mais comum, porque está na eletricidade que gastamos, naquilo que comemos e até na água que bebemos. O Imposto sobre o Valor Acrescentado nasceu a 1 de janeiro de 1986 e veio como “brinde” com a adesão à CEE.

É, no fundo, um imposto que se praticava na Europa, incidindo sobre o consumo e Portugal, aderindo à então designada Comunidade Económica Europeia, não poderia escapar. Começou por ter uma taxa máxima de 16% e uma mínima de 8%.

Hoje, e depois de vários ajustes, vai dos 6% aos 23%. Em 1987 foram cobrados o equivalente a 1.575,9 milhões de euros em IVA. Em 2018, e de acordo com a Pordata, este valor foi de 16.670,3 milhões de euros, o mais alto de sempre.

IRS

Muito falado de abril a junho, quando é preciso entregar a declaração e mais perto do verão, quando chegam os reembolsos, o IRS é a abreviatura de Imposto sobre Rendimentos Singulares e foi introduzido, tal como o IRC, a 1 de janeiro de 1989.

Se no primeiro ano de cobrança rendeu 1.682,7 milhões de euros, em 2018, e já depois de sucessivas reformas, chegou quase aos 13 mil milhões de euros.

Antes do IRS, existia o Imposto Complementar, que abrangia tanto particulares como empresas. Dividia-se em A (pessoas singulares) e B (pessoas coletivas) e, no primeiro caso, incidia sobre os rendimentos do trabalho e pensões.  

Antes do IRS existiam também diversos impostos profissionais, mas os funcionários públicos, por exemplo, não pagavam este tipo de impostos.

A ideia foi uniformizar a cobrança destas contribuições, indo ao encontro do que já se fazia noutros países.  

IRC

IRC começou a ser implementado no mesmo dia e resultou também desta reorganização fiscal que teve como objetivo unificar e uniformizar as obrigações tributárias. Neste caso, para as empresas.

Em 1989 valia 474 milhões de euros, em 2018 chegou aos 6.340. Inicialmente tinha uma taxa de 36%, mais cerca de 10% de derrama.  

Atualmente, as taxas variam conforme o volume de negócios e são ainda complementadas pela derrama, estipulada por cada município.

ISP

imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) integra os impostos especiais sobre o consumo. Aplica-se à gasolina, gasóleo, gás propano e butano, petróleo e GPL destinados à venda ou consumo.

O seu valor é determinado anualmente pelo Governo e influencia o preço dos combustíveis que, como se sabe, acaba por ter influência em produtos e serviços.

Durante muito tempo foi gerido pelas alfândegas e só em 2012, com fusão entre a direção-geral dos impostos e a direção dos serviços aduaneiros, passou para a Autoridade Tributária e Aduaneira.

IUC & ISV

Imposto Único de Circulação substitui, desde 2007, o Imposto Municipal sobre Veículos. É cobrado anualmente aos proprietários de veículos, variando consoante a cilindrada e antiguidade.

Na mesma altura surgiu também o ISV, um imposto que incide sobre o fabrico, montagem, admissão ou importação de veículos sujeitos a tributação e com matrícula portuguesa.  

IMI & IMT

Até dezembro de 2003, quem tinha um imóvel já contava com o pagamento da Contribuição Autárquica. Hoje, todos sabemos que, pelo menos uma vez por ano (para valores inferiores a 100€), é preciso pagar o Imposto Municipal Sobre Imóveis, mais conhecido como IMI.

A taxa é fixada anualmente por cada município e é de:

  • Entre 0,3% e 0,45% para os prédios urbanos (pode em circunstâncias específicas ir até 0,5%);
  • A taxa aplicável aos prédios rústicos é de 0,8%.

Ainda na área dos imóveis, há que lembrar o IMT (Imposto Municipal a Transmissão Onerosa de Imóveis), que, em janeiro de 2004 veio substituir a Sisa. Diz respeito às transações imobiliárias.

Imposto de selo

E, embora existam mais pequenos impostos, nenhum deve ser tão famoso como o Imposto de selo que, embora aparentemente insignificante (poucos cêntimos de cada vez), parece estar em todo o lado.

É cobrado há mais de 350 anos e, no fundo, é aplicado em quase tudo, dos contratos até às transações com cartões.  

Eonia: o que muda nesta taxa de referência da zona euro?

A Eonia, taxa de referência na zona euro para o muito curto prazo, vai sofreu alterações. Com este artigo do E-Konomista conheça-a melhor e saiba o que mudou a partir de 2 de Outubro.

Até agora a Eonia (Euro Overnight Index Average) foi a taxa de juro de referência a um dia para o euro. Mas já a partir de 2 de outubro de 2019, esta taxa começou a ser gradualmente substituída pela nova taxa de juro de curto prazo da zona euro, a €STR (Euro Short-Term Rate).

Para facilitar aos mercados a adoção da €STR, em substituição da Eonia, o Banco Central Europeu (BCE) estabeleceu um período de transição que se prolonga até 2021. Nessa altura a Eonia deixará mesmo de existir.

Mas já lá vamos. Antes ainda importa perceber um pouco melhor em que consiste a Eonia e quais os motivos que levaram à decisão do BCE em substituí-la.

EONIA: GUIA ESSENCIAL

A Eonia é uma das taxas de juro de referência da zona euro, tal como a Euribor, aquela que é mais conhecida entre os portugueses.

Tem sido tradicionalmente calculada pelo BCE como uma média ponderada das taxas de juro dos empréstimos a um dia sem garantia entre um conjunto de 28 bancos, que constituem o painel representativo do mercado monetário da zona euro.

Após a recolha das cotações do painel de bancos, excluem-se as cotações que ficam 15% acima e abaixo da média global e fixa-se a taxa todos os dias úteis pelas 19:00 CET – central european time.

De 2 de outubro de 2019 e até 2021, a Eonia passou a ser calculada como correspondendo à €STR acrescida de um spread (diferencial) de 0,085%, com vista a dar ao mercado tempo suficiente para passar se adaptar à nova taxa. Após o período de transição a Eonia será extinta.

PORQUÊ CRIAR UMA NOVA TAXA E QUAL O SEU PAPEL?

Desenvolvida internamente pelo BCE, o principal objetivo da €STR (Euro Short-Term Rate) é dar maior transparência e fornecer mais informação sobre o real funcionamento do mercado. Este aspeto é vital para restaurar a confiança do mercado que foi significativamente abalada pelos escândalos de manipulação da Euribor e da Eonia.

As distorções destas taxas podem ter impacto nos preços dos ativos, desfasando-os da realidade. Por este motivo, as taxas de referência europeias estão agora a ser substancialmente reformuladas.

Além disso, com a significativa redução do número de bancos que contribuem para a definição das taxas, havia a necessidade de criar um taxa que pudesse funcionar como alternativa, caso o setor privado deixasse de poder disponibilizar a sua própria taxa de referência a um dia (a Eonia).

Quais as diferenças entre a €STR e a Eonia?

A principal diferença entre a taxa €STR e a Eonia são os dados em que se baseia o seu cálculo. No caso da Eonia, baseia-se em cotações e propostas apresentadas pelo painel de bancos, sem que as mesmas correspondam, necessariamente, a valores de transações reais.

Já €STR será uma taxa híbrida, havendo contribuição de propostas, mas também de valores correspondentes a transações reais. Ou seja, ao passo que a Eonia é fixada com base nos dados entregues voluntariamente pelos bancos do painel, a €STR será construída através da apresentação diária de dados dos bancos que reportam sobre transações.

Outra das diferenças entre estas taxas está na entidade que faz a respetiva administração e gestão. Enquanto a gestão da Eonia é feita pelo setor privado, a €STR foi preparada internamente pelo BCE e será gerida e administrada sob a sua alçada.

Olá €STR, adeus Eonia

A Eonia deixará de cumprir em 2020 os critérios exigidos pela regulação da União Europeia (UE) sobre taxas de juro de referência porque muitos bancos deixaram de informar e a taxa é cada vez menos fiável.

Um grupo de trabalho do setor privado dedicado à análise de taxas em euros isentas de risco recomendou, assim, que os participantes no mercado substituam gradualmente a Eonia pela nova taxa de juro de curto prazo do euro, €STR..

Esta substituição afeta diversos ativos, como operações com derivados, contratos de garantia e produtos diferentes dos derivados.
Não deverá, contudo, ter implicações diretamente nos créditos às famílias, que em Portugal usam como indexante as taxas de juro Euribor.

O que vai acontecer à Euribor?

A Euribor é um conjunto de várias taxas com diferentes prazos (uma semana, três meses, seis meses e um ano), que são definidas com base na média das taxas de juro cobradas pelos bancos quando se financiam entre si.

Tal como a Eonia, também a Euribor está a ser alvo de uma reforma liderada pelo European Money Markets Institute (EMMI), o instituto privado sediado na Bélgica que administra esta taxa de juro de referência. O processo deverá ser concluído ainda este ano.

O EMMI está igualmente a introduzir de forma gradual uma nova metodologia de cálculo da Euribor – a chamada “metodologia híbrida”. Este método de cálculo baseia-se, o mais possível, nas transações reais e, quando estas não estão disponíveis, também em apreciações (juízos técnicos) de especialistas.

Com estas reformas pretende-se que as taxas de juro de referência se tornem mais fiáveis e transparentes e que assim melhor protejam consumidores e investidores.

QUAL A IMPORTÂNCIA DAS TAXAS DE REFERÊNCIA?

Estas taxas desempenham um papel muito importante no sistema financeiro e na economia real. São indexantes utilizadas nos diversos instrumentos financeiros, por exemplo, nos depósitos a prazo. Estas taxas de referência têm a função de servir de orientação e são fundamentais para calcular os juros de créditos, tais como os créditos habitação.

Tem até 31 de outubro para declarar o beneficiário efetivo da sua empresa

O E-Konomista avisa, se não o fizer arrisca-se não só a coimas pesadas, mas também ao bloqueio de fundos europeus. Além disso, fica sujeito à proibição da distribuição de dividendos.

Depois do prazo já ter sido estendido duas vezes, as empresas têm agora até ao dia 31 de outubro para efetuar o Registo Central do Beneficiário Efetivo (RCBE).

Aliás, as entidades sujeitas a registo comercial têm até ao final do mês de outubro para o fazer, enquanto as demais entidades sujeitas ao RCBE podem fazê-lo até ao dia 30 de novembro.

Quem não cumprir estes prazos fica sujeito a penalizações, nomeadamente:

  • O registo deixa de ser gratuito;
  • Coimas entre 1000 e 50.000 euros ( de acordo com o ponto 1 do artigo 6.º da Lei n.º 98/2017);
  • Proibição de celebrar ou renovar contratos de fornecimento, empreitadas de obras públicas ou aquisição de serviços e bens com o Estado, regiões autónomas, institutos públicos, autarquias locais e instituições particulares de solidariedade social maioritariamente financiadas pelo Orçamento do Estado. As empresas ficam, ainda, impedidas de renovar o prazo dos contratos já existentes;
  • Bloqueio de fundos europeus;
  • Proibição da distribuição de dividendos: talvez a penalização mais pesada. De acordo com a mesma lei, as empresas incumpridoras ficam proibidas de “distribuir os lucros do exercício ou fazer adiantamentos sobre lucros no decurso do exercício”.
Definições de Cookies

A EZATA pode utilizar cookies para memorizar os seus dados de início de sessão, recolher estatísticas para otimizar a funcionalidade do site e para realizar ações de marketing com base nos seus interesses.


Estes cookies são necessários para permitir a funcionalidade principal do site e são ativados automaticamente quando utiliza este site.
Estes cookies são necessários para permitir a funcionalidade principal do site e são ativados automaticamente quando utiliza este site.
Estes cookies são necessários para permitir a funcionalidade principal do site e são ativados automaticamente quando utiliza este site.

Cookies Necessários Permitem personalizar as ofertas comerciais que lhe são apresentadas, direcionando-as para os seus interesses. Podem ser cookies próprios ou de terceiros. Alertamos que, mesmo não aceitando estes cookies, irá receber ofertas comerciais, mas sem corresponderem às suas preferências.

Cookies Funcionais Oferecem uma experiência mais personalizada e completa, permitem guardar preferências, mostrar-lhe conteúdos relevantes para o seu gosto e enviar-lhe os alertas que tenha solicitado.

Cookies Publicitários Permitem-lhe estar em contacto com a sua rede social, partilhar conteúdos, enviar e divulgar comentários.